Histórias infantis

Por que personagens ruins em histórias gostam tanto de crianças


Somos atraídos pelo lado negro? Essa atração pelo lado negro não é exclusiva dos adultos, as crianças também ficam fascinadas e é por isso que gostam tanto de personagens ruins em histórias. Mas nos perguntamos por que, por que nossos filhos pedem fantasias de vilão em um ano e de herói no outro. Perguntamo-nos por que nem sempre ficam com o mocinho da história, com o herói ou a heroína, com o príncipe ou com a princesa.

Vamos enfrentá-lo, que história poderíamos contar sobre Chapeuzinho Vermelho se não tivéssemos o lobo perambulando pela floresta? Não há nada de extraordinário em uma garotinha levar uma cesta de comida para a avó doente, não é? É quando aparece o vilão da história que temos uma história para contar.

Os bandidos das histórias são necessários. São o contraponto do protagonista do cuidado, são o que realmente permitem às crianças ver os valores da história que está sendo lida ou contada. Do lobo em Chapeuzinho Vermelho à Cruela de Vil de 101 dálmatas, à adorada e odiada Maleficent, os bandidos, os vilões podem ser muito diferentes.

Existem ogros, monstros, vilões, bruxas malvadas, animais mal intencionados, seres de difícil classificação. Eles são egoístas, gananciosos, cruéis, feios ou hostis e, portanto, estranhos que as crianças gostem tanto deles. Mas os bandidos gostam deles, os bandidos atraem talvez por pura empatia por aqueles que sempre ficam em segundo plano. Ao fim e ao cabo, os verdadeiros protagonistas são os mocinhos, certo?

Como já avisamos, sem os bandidos não há história. É por isso que falamos de um papel secundário imerecido que eles desempenham nas histórias infantis. Talvez nossos filhos percebam inconscientemente essa injustiça, talvez qualquer criança seja capaz de intuir que sem o vilão não seria capaz de desfrutar de uma história fabulosa.

O papel que os bandidos desempenham nas histórias é a chave para que a história surja e se desenvolva. Que amamos finais felizes, nós e nossos filhos também, mas para que exista um final feliz é preciso primeiro haver uma longa história de contratempos, assim como a própria vida!

Uma história, qualquer história, tem um protagonista e um antagonista. Porque sem antagonista, o personagem principal não tem aventuras, não tem conflito, não tem obstáculos para resolver. Tudo o que é dado pelo vilão e nossos filhos captam, por isso sentem empatia por ele ou pelo menos agradecem por sua presença nesta história.

O que mais o bandido pode fazer além de ser o verdadeiro arquiteto da história? Bem, precisamente por causa do contraste que isso implica, fazer o bem. Nós nos explicamos. Como as crianças saberiam que o protagonista é bom? Porque existe um vilão que é o contraponto, porque é no caminho que o malvado percorre, onde vê valores positivos ou negativos.

E sem entrar em considerações sobre flexibilidade moral, a verdade é que os bandidos que aparecem nas histórias são manifestamente maus, até porque atrapalham a felicidade do personagem principal. Os bandidos também são o principal obstáculo que o protagonista tem para realizar seus sonhos e às vezes seu comportamento cruel é totalmente gratuito.

Nossos filhos vão encontrar muitos vilões ao longo de suas vidas e em suas primeiras histórias podem aprender a evitar suas consequências. Preparando-se para a vida adulta? Mas não vamos esquecer que muitos desses vilões terríveis mudam conforme a história avança e acabam do lado do mocinho. Porque todos cometemos erros e todos temos o direito de corrigi-los.

Quando dizem que os bandidos não são tão maus nem os mocinhos são tão bons, não estão se referindo precisamente a histórias infantis em que os bandidos não são que não são tão maus, são muito maus. E apesar disso esses personagens que tornam a vida impossível para o protagonista como eles. Gostamos deles e nossos pequenos gostam deles. Será por causa do fascínio que o lado negro exerce ou será porque a verdade é que nossos filhos podem aprender muitas coisas com os bandidos nas histórias.

Por mais preocupados que estejamos com o gerenciamento das emoções em nossos filhos, não havíamos percebido como os bandidos das histórias podem nos ajudar nessa tarefa. Personagens do mal, vilões, ogros e bruxas do mal apresentam comportamentos que estão presentes em todas as pessoas e que tanto adultos como crianças têm dificuldade em aceitar.

Porque todos nós queremos ser boas pessoas. Não nos reconhecemos quando sentimos inveja, ciúme, raiva, raiva ou ressentimento ou qualquer outra emoção que consideramos negativa. Relutamos em acreditar que nosso coração inicialmente bondoso possa abrigar tais sentimentos tóxicos e às vezes malicioso. E tem os bandidos das histórias para contar aos nossos filhos que tudo isso existe.

Não é que nossos filhos sejam tão maus que possam se identificar com o vilão da história, mas é um bom momento que podemos aproveitar para ajudar nossos filhos a reconhecer essas emoções negativas. E nada acontece com eles, desde que possam identificá-los e fazer algo com eles; algo diferente de usá-los para deixar outro protagonista infeliz.

As crianças podem aprender muitas coisas com os bandidos nas histórias, pois por meio deles os valores positivos e negativos são identificados e aprendem a distinguir entre o bem e o mal. E o quanto seu filho pode se sentir bem ao ver que não agiria como o bandido da história? De certa forma, o vilão, o ogro ou a bruxa má ensina nossos filhos a serem pessoas melhores.

Dada a utilização da literatura infantil para a formação de valores e, como diz um estudo do Conselho Nacional de Cultura e Artes do governo chileno, "as histórias e contos são fundamentais para o desenvolvimento da vida", aí temos o os vilões das histórias como nossos melhores aliados para que nossos pequenos percebam os danos que alguns comportamentos podem causar. Os maus representam valores inescrupulosos ou negativos e sua presença é tão importante na história que é contada que é impossível não percebê-los.

E daí se os bandidos das histórias não forem tão ruins? As crianças prestam atenção em tudo e, se algo lhes escapa, para isso estamos lendo uma história para elas, para apontar tudo o que achamos importante. E quando olhamos de perto, em muitas ocasiões, os bandidos carregam um fardo pesado de infância traumática, abuso ou injustiça. Como se fossem maus porque o mundo os fez assim.

Não é uma desculpa para justificar o vilão da história, mas é uma boa desculpa para crianças estejam cientes de que não somos perfeitos, que cometemos erros, que cometemos erros muitas vezes e que às vezes esses erros têm consequências para os outros. Não há razão para seguir o fio da história porque às vezes os bandidos não têm mais volta, mas quantas vezes um bandido corrigiu ao longo da aventura?

No final, temos que chegar à conclusão de que, de fato, os bandidos nas histórias não são tão ruins. Que é normal que as crianças os percebam e fiquem fascinadas com as suas motivações. Porque no final das contas, o vilão é aquele que realmente carrega o peso da história, não importa o quanto tentemos apontar o mocinho como protagonista.

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